Prioridades para a Conservação da Mata Atlântica

Nos últimos anos foram criados diversos fundos e mecanismos para conservação da biodiversidade nos trópicos. Entretanto, os responsáveis pelas decisões nesta área enfrentam um grande desafio: estabelecer uma linha prioritária de ações e financiamentos para a biodiversidade na ausência de informações sobre o assunto.

Há consenso, porém, em relação à necessidade de direcionar as atenções para os níveis locais e regionais, de modo a agilizar a implementação das medidas consideradas necessárias. Uma das maneiras mais eficientes de atingir esses objetivos são os workshops regionais para seleção de áreas prioritárias para conservação, desenvolvido pelas organizações não-governamentais. A técnica dos workshops envolve uma compilação prévia de dados de biodiversidade, distribuição de áreas naturais e antropizadas e indicadores sócio-econômicos, utilizando sistemas de informação geográfica, de forma a resumir os principais condicionantes de decisão sobre a base territorial para as ações de conservação. Além dos aspectos biológicos e sócio-econômicos, são avaliados também a integridade dos ecossistemas e as oportunidades de ações de conservação. As áreas e ações prioritárias são indicadas após uma avaliação dos especialistas em um workshop.

A proposta dos workshops regionais foi incorporada ao programa apresentado pelo Governo brasileiro ao Global Environment Facility (GEF), como parte do Projeto de Conservação e Utilização Sustentável da Diversidade Biológica Brasileira (PROBIO), o primeiro projeto do Programa Nacional de Biodiversidade (PRONABIO) do Ministério do Meio Ambiente. Uma série de estudos, estão previstos para os dois próximos anos em todos os biomas brasileiros, em cumprimento às obrigações do país junto à Convenção sobre Diversidade Biológica, firmada durante a ECO-92. Dentre estes estudos está o subprojeto Avaliação e Ações Prioritárias para Conservação dos Biomas Floresta Atlântica e Campos Sulinos. Este subprojeto do PROBIO é uma oportunidade de reavaliar e complementar os resultados de exercícios anteriores: o Workshop de Prioridades para Conservação da Mata Atlântica do Nordeste, em 1993, em recife, PE; e Workshop "Padrões de Biodiversidade da Mata Atlântica do Sul e Sudeste", realizado em 1996, em Campinas, SP.

O estabelecimento de ações prioritárias para a Mata Atlântica pode ser considerado uma das ações mais urgentes, sob a ótica da conservação, no Brasil. Uma vez que este pode ser considerado um dos biomas mais ameaçados do planeta, estando reduzido a menos de 8% de sua cobertura original, que aliado à ocorrência de altos índices de espécies endêmicas o faz configurar entre os hotspots mundiais. Os campos sulinos foram incorporados neste projeto pelo fato desta formação permear uma grande extensão da Mata Atlântica a partir do sul de São Paulo atingido o sul do Estado do Rio Grande do Sul e também se encontrar sob forte pressão antrópica.