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(% da ecoregião) |
| Florestas Costeiras de Pernambuco |
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| Florestas Interioranas de Pernambuco |
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| Brejos Nordestinos |
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| Florestas Costeiras da Bahia |
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| Florestas Interioranas da Bahia |
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| Campos de Altitude* |
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| Florestas Secas do Nordeste |
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| Florestas do Paraná-Parnaíba |
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| Florestas da Serra do Mar |
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| Florestas de Araucária |
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| Restingas |
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| Manguezais |
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| Campos Sulinos |
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| TOTAL |
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Um total de 10 tipos de vegetação (as áreas reconhecidas pelo RADAMBRASIL como de contato ou Tensão Ecológica, foram consideradas como 1 tipo de vegetação) foram reconhecidos para os domínios da Floresta Atlântica e Campos Sulinos (Tabelas 2 e 4). O número de tipos de vegetação reconhecidos por ecoregião (Tabela 2) variou de 5 a 10. Somente a ecoregião mais extensa (Floresta do Paraná-Paranaíba) possuia todos os diferentes tipos de vegetação reconhecidos.
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| Florestas Costeiras de Pernambuco | 5 | 1 (20.0) |
| Florestas Interioranas de Pernambuco | 6 | 2 (33.3) |
| Brejos Nordestinos | 5 | 2 (40,0) |
| Florestas Costeiras da Bahia | 7 | 3 (43,0) |
| Florestas Interioranas da Bahia | 8 | 2 (25,0) |
| Campos Rupestres | 7 | 4 (57,0) |
| Florestas Secas do Nordeste | 6 | 3 (50,0) |
| Florestas do Paraná-Paranaíba | 10 | 3 (30,0) |
| Florestas da Serra do Mar | 7 | 4 (57,1) |
| Florestas de Araucária | 8 | 5 (62,5) |
| Restingas | 5 | 1 (20,0) |
| Manguezais | 6 | 1 (17,0) |
| Campos Sulinos | 6 | 1 (17,0) |
Um total de 43 unidades de conservação foram incluídas nesta análise (Tabela 3). Destas, 8 são Estações Ecológicas, 21 são Parques Nacionais e 14 são Reservas Biológicas. A grande maioria das unidades de conservação (35, 81,4%) pertence a somente uma ecoregião. Um total de 8 unidades de conservação inclui em seus limites trechos de duas ou mais ecoregiões (Tabela 3).
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| ESEC Aracuri-Esmeralda* | FAR |
| ESEC Carijós | FAR |
| ESEC Guraqueçaba* | FAR, FSM, MAN |
| ESEC Itabaiana | FIB |
| ESEC Piraí | FSM |
| ESEC Taim * | RES |
| ESEC Tamoios | RES |
| ESEC Tapacurá | FIP |
| PARNA Aparados da Serra | FAR |
| PARNA Caparaó | FCB, FIB, CRU |
| PARNA Chapada Diamantina | CRU, FSN |
| PARNA Descobrimento | FCB |
| PARNA Iguaçu | FAR, FPP |
| PARNA Ilha Grande | CRU, FPP |
| PARNA Itatiaia | CRU, FPP, FSM |
| PARNA Jurubatiba | RES |
| PARNA Lagoa do Peixe | RES |
| PARNA Monte Pascoal | FCB |
| PARNA Pau Brasil | FCB |
| PARNA São Joaquim | FAR |
| PARNA Serra da Bocaína | CRU, FSM, MAN |
| PARNA Serra da Capivara | FSN |
| PARNA Serra das Confusões | FSN |
| PARNA Serra do Cipó | CRU |
| PARNA Serra dos Órgãos | FSM |
| PARNA Serra Geral | FAR |
| PARNA Superagui | FSM, MAN |
| PARNA Tijuca | FSM, |
| PARNA Ubajara | BNE |
| REBIO Augusto Ruschi | FCB |
| REBIO Comboios | FCB, |
| REBIO Córrego do Veado | FCB |
| REBIO Córrego Grande | FCB |
| REBIO Guaribas | FIP |
| REBIO Pedra Talhada | FIP |
| REBIO Poço das Antas | FSM |
| REBIO Saltinho | FCP |
| REBIO Santa Isabel | RES |
| REBIO Serra Negra | BNE |
| REBIO Sooretama | FCB |
| REBIO Tinguá | FSM |
| REBIO Una | FCB |
| REBIO União | FSM |
A área coberta por unidades de conservação variou bastante entre ecoregiões (Tabela 1). A ecoregião com menor área protegida em termos absolutos é a que inclui as Florestas Costeiras de Pernambuco, enquanto a maior é a que inclui as Florestas Secas Nordestinas (Tabela 1). Em termos relativos, as Florestas Costeiras de Pernambuco (0,03%) e as Florestas Interioranas da Bahia (0,03%) são as que possuem proporcionalmente menor parte de suas áreas cobertas por unidades de conservação, enquanto os Manguezais (9,37%) e as Restingas (5,45%) são as ecoregiões que possuem proporcionalmente mais unidades de conservação. Combinando o domínio da Mata Atlântica e dos Campos Sulinos, somente 0,86% desta extensa região é coberta por unidades de conservação federais de uso indireto. Tomando-se esta valor como referência, 7 ecoregiões apresentaram valores mais baixos e 6 apresentaram valores mais altos (Tabela 1).
Além das unidades de conservação cobrirem somente uma pequena parte das ecoregiões, elas também não representam bem a diversidade de tipos de vegetação encontrados em cada ecoregião. A porcentagem de tipos de vegetação representados nas unidades de conservação por ecoregião variou de 17 (Manguezais e Campos Sulinos) a 62,5% (Florestas de Araucária). Somente 4 ecoregiões (Campos de Altitude, Florestas Secas do Nordeste, Florestas da Serra do Mar e Florestas de Araucária) tiveram 50% ou mais dos seus tipos de vegetação representados em unidades de conservação (Tabela 2).
Uma forma alternativa de analisar a representatividade das unidades de conservação é considerar cada combinação de tipo de vegetação com ecoregião como uma unidade distinta de hábitat. Neste caso, 86 grupos de hábitat são reconhecidos (somatória da segunda coluna da Tabela 2). Destes grupos, a grande maioria (62,7%, 54 grupos) não está representada em qualquer unidade de conservação.
Uma estratégia simples de estabelecer prioridades para o estabelecimento de novas unidades de conservação é desenhar um sistema de reservas que inclua pelo menos um trecho significativo de cada tipo de vegetação existente em cada ecoregião. Alguns subsídios para o desenho destes sistemas podem ser extraídos da tabela 4. Alta prioridade ecoregional deve ser dada para aqueles tipos de vegetação ainda não representados nas unidades de conservação.
| Tipos de Vegetacão |
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| Floresta Ombrófila Densa | 5,32 | 0,00 | 0,00 | 891,07 | 5,53 | 211,85 | 0,00 | 0,00 | 1.398,35 | 22,53 | 0,00 | 552,08* | |
| Floresta Ombrófila Aberta | 0,00 | 0,00 | 2,70 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | ||||||
| Floresta Ombrófila Mista | 0,00 | 3,28 | 3,51 | 682,59 | 0,00 | ||||||||
| Floresta Estacional Semidecidual | 0,00 | 46,06 | 13,17 | 0,34 | 72,35 | 276,05 | 86,63 | 1861,42 | 1,01 | 21,03 | 0,00 | 0,00 | 0,00 |
| Floresta Estacional Decidual | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 3.003,21 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | |||||
| Savana Estépica | 0,00 | 0,00 | 431,73 | 0,00 | |||||||||
| Savana | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 63,02 | 0,00 | 1,69 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | |||
| Refúgio Ecológico | 0,00 | 408,35 | 0,00 | ||||||||||
| Áreas de Tensão Ecológica | 0,00 | 3,32 | 28,81 | 0,00 | 24,14 | 0,00 | 0,65 | 112,25 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | ||
| Áreas de Formações Pioneiras | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 0,00 | 298,93 | 0,00 | 452,62 |
| TOTAL | 5,32 | 49,38 | 15,86 | 920,22 | 77,88 | 959,28 | 3113,98 | 1.866,39 | 1.403,52 | 1.270,13 | 298,93 | 552,08 | 452,62 |
Esta análise, apesar de preliminar, indica várias questões importantes a serem consideradas quando se definir ações conservacionistas prioritárias para a Mata Atlântica e os Campos Sulinos. Não resta dúvida nenhuma que a área coberta por unidades de conservação federais de uso indireto nestes dois domínios é insuficiente para conservar uma parcela significativa da biodiversidade destas duas regiões. Mais ainda, as unidades de conservação existentes protegem apenas uma pequena parte dos conjuntos espaciais formados pela combinação de tipos de vegetação x ecoregião. Portanto, além da área coberta por unidades de conservação ser reduzida, ela está mal distribuída, pois incluí somente uma pequena parte da variabilidade ambiental existente nos dois domínios.
A grande maioria das ecoregiões (8; 61,5%) apresenta menos de 1% de suas áreas cobertas por unidades de conservação. Sugiro que estas oito regiões (Florestas Costeiras de Pernambuco, Florestas Interioranas de Pernambuco, Brejos Nordestinos, Florestas Costeiras da Bahia, Florestas Interioranas da Bahia, Florestas do Paraná-Paranaíba, Florestas de Araucária e Campos Sulinos) sejam consideradas como de alta prioridade para a criação de novas unidades de conservação. Nestas ecoregiões, seria aconselhável investir tanto no aumento da extensão de área protegida dos tipos de vegetação já representados nas unidades de conservação como também naqueles não representados. A tabela 4 oferece uma base para esta tomada de decisão.
Indicar estas 8 regiões como prioritárias não significa que esforços para a criação de novas reservas em outras ecoregiões não devam ser feitos. Ao contrário, deve-se buscar estratégias para ampliar a área coberta por unidades em cada uma das ecoregiões seguindo os melhores critérios biológicos disponíveis. Um exemplo instrutivo é o da ecoregião das Florestas Secas Nordestinas. Nesta região, o core das florestas estacionais deciduais e semideciduais estão ao longo do Rio São Francisco, na borda entre os Estados da Bahia e Minas Gerais. Entretanto, as unidades de conservação estão localizadas na periferia da ecoregião e não no centro, como poderia ser mais recomendável a partir de critérios biogeográficos simples. Assim, apesar desta ecoregião possuir 2,88% de sua área coberta por unidades de conservação federais de uso indireto (um valor bem alto quando comparado com outras ecoregiões!), estas unidades não estão certamente protegendo eficientemente as espécies e os processos ecológicos característicos desta ecoregião.
O desenho de sistemas eficientes de reservas para cada ecoregião deve ser um próximo passo para otimizar os esforços para conservar a biodiversidade dos domínios da Mata Atlântica e Campos Sulinos. Um desenho eficiente vai necessariamente depender da combinação de vários fatores biológicos e sócio-econômicos e do aproveitamento de todas as oportunidades possíveis. Um arsenal de técnicas e recomendações para desenhar sistemas eficientes de reservas estão disponíveis (Soulé & Terborgh, 1999) e poderiam ser melhor explorados e investigados dentro da situação de cada ecoregião.
Este exercício simples e incompleto mostra que existem muitas lacunas a serem preenchidas para garantir a conservação de uma parcela razoável da biodiversidade original dos domínios da Mata Atlântica e Campos Sulinos. O sucesso deste empreendimento vai depender da criatividade e da capacidade dos conservacionistas em desenhar paisagens sustentáveis, que permitam compatibilizar um aumento na qualidade de vida da densa população que vive nestes domínios e o funcionamento dos ecossistemas locais.
Dinerstein, E., Olson, D. M., Graham, D. J., Webster, A L., Primm, S. A ., Bookbinder, M. P. & Ledec, G. 1995. A conservation Assessment of the terrestrial ecoregions of Latin America and the Caribbean. Washington: WWW & The World Bank.
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FIBGE. 1988. Mapa de vegetação do Brasil. Rio de Janeiro: FIBGE.
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Franklin, J. F. 1993. Preserving biodiversity: species, ecosystems, or landscapes? Ecol. Applications 3: 202-205.
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Soulé, M. E. & Terborgh, J. 1999. Continental Conservation: Scientific Foundations of Regional Reserve Networks. Washington D. C.: Island Press.