Remanescentes

Os remanescentes florestais da Mata Atlântica encontram-se hoje distribuídos de forma irregular e desigual ao longo do território original do bioma. Esses remanescentes possuem formações tão ameaçadas que só existem em pequenas manchas em áreas urbanas e dentro de fazendas ? caso da floresta estacional semidecidual, com o maior fragmento de 36 mil hectares tendo sobrevivido no Parque Estadual do Morro do Diabo (SP) ?, a ecossistemas que se mantiveram mais protegidos em áreas de relevo acidentado ? como a floresta ombrófila densa na região da Serra do Mar, cuja importância pode ser medida pela presença das cabeceiras de rios como o Paraíba do Sul, Tietê e Ribeira do Iguape.

Apesar do isolamento da maioria dos remanescentes, na região do Vale do Ribeira (ao sul de São Paulo e nordeste do Paraná) localiza-se a maior área contínua de Mata Atlântica ainda existente no país, com 35 mil quilômetros quadrados, tendo como fundo as elevações da Serra do Mar até a região costeira conhecida como Lagamar. Neste caso, a interferência humana não chegou a desequilibrar a floresta ombrófila original, protegida num mosaico de Unidades de Conservação, como o Parque Estadual da Serra do Mar, as Estações Ecológicas Juréia-Itatins e Xitué ou os Parques Estaduais Carlos Botelho, Intervales e PETAR.

Ao sul da Bahia, no Corredor Central da Mata Atlântica, remanescentes abrigam os mais altos níveis de biodiversidade e endemismo do bioma, com 144 espécies arbóreas registradas numa única área de 1 mil metros quadrados, segundo pesquisa do Instituto de Estudos Socioambientais do Sul da Bahia (IESB). É uma área prioritária para a conservação, devido também a grande fragmentação das florestas, com áreas protegidas insuficientes. Um dos blocos mais importantes de mata está no extremo sul em quatro parques nacionais, do Descobrimento, do Monte Pascoal, do Pau-Brasil e de Abrolhos, protegendo 50 mil hectares de florestas e 90 mil de ecossistemas marinhos, com os últimos recifes de corais sadios do Atlântico Sul.

Nos estados de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, o Corredor de Biodiversidade do Nordeste foi criado para proteger importantes áreas onde se localizam os chamados centros de endemismo, que guardam espécies e porções particulares do bioma. Exemplo é o centro de endemismo Pernambuco e os Brejos Nordestinos (ilhas de floresta estacional encravadas no semi-árido). Toda a região do Corredor Nordeste abriga quase 68% das espécies de aves do bioma e surpreendente riqueza biológica de bromélias, borboletas, anfíbios, plantas vasculares, entre outras. Fora de seus limites, ao sul do Rio São Francisco existem ainda os centros de endemismo Diamantina e Bahia.

Nos estados do Sul do país, encontram-se importantes e ameaçados remanescentes da floresta ombrófila mista ou floresta com araucária, que não perfaz 5% de sua área original segundo dados do Ministério do Meio Ambiente. Enquanto o planalto gaúcho guarda fragmentos dessa formação associada aos campos de altitude, em Santa Catarina restaram núcleos de floresta com araucária (que cobriram 42,5% do estado) na região da floresta pluvial atlântica, principalmente onde se autorizou a construção da hidrelétrica de Barra Grande. No Paraná, que no passado abrigou mais de 8 milhões de hectares de mata com araucária, não restam mais do que 0,8% desses remanescentes em bom estado de conservação, a oeste da Serra do Mar no planalto do estado.

Para saber mais sobre a situação da Mata Atlântica por estado, acesse o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica .